Como seria uma vida sem os limites?

Como seria uma vida sem os limites? À primeira vista pode dar a sensação de que “tudo seria maravilhoso”, realizaríamos tudo o que quiséssemos e de certa forma, assim temos feito desde o advento da expansão do crédito aqui no Brasil. O cartão de crédito, entendido pelos especialistas como um dos mais eficientes meios de pagamento disponíveis, quando comparado ao dinheiro ou aos talões de cheque, virou um representante da vida com limites mais largos.

Curiosamente, ainda que saibamos o quanto podemos gastar, nos sentimos empoderados na companhia dos nossos cartões e fazemos coisas que, se a vida fosse apenas vivida à vista e com o dinheiro que temos no bolso, jamais ousaríamos e nem poderíamos. Fantástica a possibilidade de podermos adquirir algo sem que tenhamos os recursos naquele momento. Realizar um sonho que, para nosso hábito não poupador, seria quase impossível.

O cartão de crédito, entendido pelos especialistas como um dos mais eficientes meios de pagamento disponíveis, quando comparado ao dinheiro ou aos talões de cheque, virou um representante da vida com limites mais largos.

Como uma criança, pegamos a panela de brigadeiro e a devoramos inteira antes mesmo de esfriar. Saciamos nosso desejo imediato, sentimos prazer e ficamos com aquela boa sensação. Curiosamente, esquecemos das consequências das nossas escolhas. Esquecemos de planejar os meses que virão para saber se seriamos capazes de pagar por aquela ousadia. Ficamos lambuzados e já nos sentindo enjoados de tanto doce… Queremos tomar uma atitude! Mudar. Mas não queremos abrir mão do prazer. Assim, não nos responsabilizamos. Preferimos culpar alguém. E o culpado neste momento é o cartão de crédito.

Queremos tomar uma atitude! Mudar. Mas não queremos abrir mão do prazer. Assim, não nos responsabilizamos. Preferimos culpar alguém. E o culpado neste momento é o cartão de crédito.

Escuto falarem dele como se uma entidade fosse: “aquele cartão de crédito maldito”, “ele me sacaneou”, “bonitinho e ordinário”, “quebrei todos os meus, não quero mais saber deles”, “Eu fiz melhor, cancelei todos”, Ou ainda: “Não vivo sem ele”, “Ai se não fosse ele…”. Quem escuta sem saber o nome do sujeito, afirmaria se tratar de um namorado, um amigo, ou até alguém da família. Mas como acredito que somos livres e autônomos para tomar decisões, fico me perguntando:

De quem era o nome no cartão? Quem pediu mais do que um? Quem pediu para aumentar o limite? Quem desbloqueou? Quem o colocou na bolsa ou carteira? Quem o obrigou a colocar a senha depois de uma compra realizada?

Sim, há uma razão para o qualificarmos de mágico e sedutor, ele é capaz de realizar os nossos desejos. Por isso muitas vezes nos sentimos tão seguros ao lado dele. Mas, será que não consigo me impor limites? Apenas duas colheradas? Ou ainda que sou incapaz de reconhecer que exagerei ao comer uma panela inteira ou ao usar todo o meu limite, ainda sabendo que ele é mais do que minha entrada de dinheiro? Será mesmo que o brigadeiro é o culpado?

As novas regras criadas pelo governo federal vêm ajudar para que o efeito do consumo inconsciente de brigadeiro cause menos mal. Propondo uma negociação mais rápida, com expectativa de juro pela metade, a nova “dieta” deve ser aplicada 30 dias após o cliente entrar no rotativo. Isso evitará aquela ressaca que acontecia quando a dívida ia crescendo rapidamente no rotativo por mais de seis meses, pagando o mínimo e com os juros praticados até então.

A medida continua deixando o brigadeiro à nossa disposição. Dependerá de nós sermos mais conscientes e planejados no seu consumo. Caso contrário, sentiremos apenas menos os efeitos da ressaca, como inadimplência e superendividamento. Mas ela continuará existindo se não aprendermos a comer na medida do que nos faz bem.

O que será que escolheremos? O tempo nos dirá!

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Crédito, Finanças, Sonhos
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